quinta-feira, 24 de julho de 2014

TERRA CAOS - CAPÍTULO 1 - Na Terra do Fogo

Capítulo 1 - Na Terra do Fogo

          Silvio Lasssar e Valdine Alva estavam viajando no dorso de dragões alados a convite de Emanuil Dudo, que os guiava para um encontro com Guilhermo Tande a fim de formarem alianças entre as tropas do Brasil, (Silvio Lassar) e do Chile, (Guilhermo Tande) para lutarem contra os Romanos estacionados na Terra do Fogo. No entanto Silvio e Valdine foram traídos por Emanuil que matou os dois dragões e deixou os dois guerreiros revolucionários do Brasil caírem para morrer nas geleiras da Terra do Fogo.

          Agora os dois Brasileiros estão caídos desfalecidos sob o solo coberto de neve. Silvio Lassar se levanta e está procurando por sua companheira Valdine Alva que caiu mais à frente fora de sua vista. Ele está muito ferido e mal consegue andar. 
          - Valdine...meu Deus, onde ela está...?
          Silvio continua caminhando cambaleante e aflito procurando por Valdine. Sangue escorre pela lateral de seu rosto, a dor na fronte revela um sério hematoma. Mas ele não se deixa abater e continua sua procura, vendo-se sozinho pela imensidão branca da neve. Nem os dragões de montaria que caíram junto com eles são vistos agora. A  neve começa a cair mais forte, a esperança de encontrar Valdine Alva ainda com vida começa a ficar mais distante.
          - Mas eu sobrevivi, por que ela não?
          Movimento à frente. Instintivamente Silvio leva a mão à cintura procurando sua espada, nada, apenas a faca com a qual costumava cortar charque para se alimentar no acampamento antes de sair do Brasil. A faca vai ter de servir. Mas ele ainda não consegue distinguir a forma escura que parece estar se aproximando dele. E se for Valdine Alva?
          - N...não p...posso atacar de imediato, preciso ver quem se aproxima.
          A faca vibra em sua mão trêmula, o frio é cortante, à sua frente se revela ter não só uma figura de forma escura, mas duas delas, grandes e pesadas. Estão mesmo vindo em sua direção. Nesse ínfimo espaço de tempo, enquanto Silvio se prepara atacar ou se defender, ele se recorda das palavras de uma bondosa anciã quando esteve em Caucutá algumas semanas antes.
          - Como era mesmo o nome dela?...Da anciã, - Pensa ele - Eu quase não me lembro, mas guardei suas palavras.

"Evite o vento da terceira noite de maio quando estiver na Terra do Fogo, jamais fique exposto a esse vento."
          - Será que já é a terceira noite e eu estou vendo coisas? Ou será que bati a cabeça e estou alucinando?

          As figuras chegam perto de Silvio Lassar e param diante dele com suas grandes espadas nas mãos. Eles fitam seu semblante e deixam claro que podem enxergar através do vento da neve melhor do que qualquer outro ser humano. Silvio então fixa seus pés no fundo da neve até onde não se pode mais afundar e espera pelo ataque.
          - São Romanos...Romanos da Terra do Fogo. Se eu morrer Valdine Alva, saiba que eu te amo, te amo de verdade e continuarei amando. Mas juro, vou tentar sobreviver!

          O primeiro Romano ataca esticando seu longo braço com a espada em punho num movimento que arrancaria de imediato a cabeço de Silvio Lassar se este, num lampejo de lucidez não se abaixasse a fim de não ser atingido. Tendo o Romano errado o golpe, ele fatalmente se inclina e, tendo agora o Romano bem próximo de si, ficou fácil para Silvio atingi-lo com sua faca na altura da virilha, de onde um rasgo de sangue faz o inimigo dar espasmos de dor abaixando ainda mais a sua guarda. Dando a chance a um segundo golpe da faca de Silvio Lassar. Desta feita, na garganta do Romano. Quando este cai, o guerreiro do Brasil já está de pé segurando firmemente sua faca apontando para o segundo Romano.          
          - Ráh, lembrei do nome da anciã de Caucutá, o nome dela é Madre Serena!
          
          Urrando e erguendo sua arma, o segundo Romano ataca do mesmo modo que o primeiro, só que com maior rapidez. Mas a faca de Silvio Lassar choca-se no ar com a pesada espada do seu atacante, desviando-a de seu curso mortífero. Porém a violência de tal impacto faz com que a mão de Silvio solte a faca que cai e desaparece na neve espessa. O gigantesco Romano tendo recuado momentaneamente, agora avança com sua espada erguida e recomposta pronta para dilacerar seu oponente. No entanto Silvio se joga na neve bem no local onde caiu sua lâmina. E num movimento rápido, encontra a faca e a atira acertando o arremesso bem na boca do Romano, que cai pesadamente com a ponta da "cortadora de charque" encravada em seu cérebro.

         Por mais frio que esteja fazendo naquele momento, Silvio continua deitado na neve, da mesma posição de quando atirou a faca. Só instantes depois, se levanta para reparar que a neve não está mais caindo e que uma dúvida recai em sua mente.
          - Como esses Romanos sabiam que eu estava aqui? Como sabiam exatamente o lugar onde eu havia caído? Isso tudo não pode ser coincidência, com certeza o traidor do Emanuil Dudo os mandou terminar o serviço. Desgraçado! Está me ouvindo Emanuil Dudo? Aí vão dois Romanos para aumentar sua conta com o vaticano até eu te encontrar e te matar, maldito!

          Quase ao mesmo tempo que se vira para continuar sua procura por Valdine Alva, Silvio Lassar escuta um sussurro chamar seu nome. Ao olhar para mais longe à frente, ele ver algo que poucos homens, por mais valentes que sejam, teriam coragem bastante para olhar.

FIM DO CAPÍTULO 1


TERRA CAOS - CAPÍTULO 2 - O Sussurro do Vento


De uma baixa elevação coberta de neve, Silvio Lassar “congela” atônito com o que seus olhos vêem há poucos metros à sua frente. Um gigante de aspecto humanóide, mas de pele grossa azulada com cinza, está agachado sobre um corpo do qual retira lascas de carne e leva á sua boca, enquanto que com a outra mão segura restos de vísceras.
- Meudeusmeudeusmeudeus...Valdine Alva...meu Deus não!
Silvio de súbito ver-se descendo a elevação, correndo desarmado em direção ao gigante da terra do fogo. Indo se aproximando, ele percebe um elmo e uma espada caídos ao lado do corpo despedaçado pelo gigante, que agora chegando mais próximo, Sílvio percebe ser grande demais para se tratar de Valdine Alva.
          - Um terceiro Romano, pelas roupas, só pode ser! – Pensa Silvio – Vai ver estava junto com os outros dois nos procurando e foi pego pelo gigante esfomeado!
          Silvio Lassar pensou em correr de volta, tarde demais, o gigante já o percebeu e o fita com olhos raivosos. Só agora, nesse momento o guerreiro das terras do Brasil se dar conta que está totalmente desarmado, tendo perdido sua espada na queda dos dragões e esquecido sua faca atirada no corpo do Romano momentos atrás. O que é muito ruim, ser um estrangeiro no gelo e ter de enfrentar um gigante da Terra do Fogo. 
           - Carne nova, carne fresca – Pensa Silvio consigo mesmo.
          O gigante de aparência putrefata ergue-se e começa a caminhar na direção de Silvio Lassar, porém, uma flecha cortando repentinamente o ar gelado, vai se cravar na nuca do gigante de onde se pode vê-la brotando pela frente saindo pelo pescoço. Ainda com a seta atravessada na sua garganta, o gigante se vira procurando o autor do disparo. Então ele a vê, com os pés fixos sob uma pedra meio encoberta de neve, com o arco ainda em riste, já carregado com uma nova flecha, Valdine Alva está resoluta com os olhos fixos no inimigo que ameaçava seu companheiro. E agora, quando o gigante da Terra do Fogo esboça iniciar um ataque, ela dispara sua segunda flecha acertando-o em cheio fazendo-o rolar elevação abaixo.
          Valdine Alva se esforça através do caminho de neve para chegar até Silvio Lassar, que neste momento, sentindo dor em cada um de seus ferimentos, prostra-se de joelhos na neve. Valdine o abraça e, os dois ficam assim por um bom tempo. Quando ele finalmente consegue falar, pergunta.
          - O críptex de Guilhermo Tande, ainda está com você?
          - Sim, ainda está!
          - Você sabe que muito estará perdido se o perdermos e...
          - Eu sei meu querido, eu sei. – Disse Valdine – Por hora não fale mais, eu vou cuidar de você.
          Os dois se erguem para começar a andar. É Valdine que fala.
          - Quando caí do dragão, eu rolei por esse declive onde a neve é mais alta, isso salvou minha vida!
          - Escute, eu não tenho muito tempo, ouvi o sussurro do meu nome no vento e...
          Cheia de espanto Valdine fala quase gritando.
          - Não, não pode ser, você não ouviu, foi só uma alucinação por causa dos ferimentos. E não são nem tão graves assim!
          Os dois se levantam e começam a andar quando Silvio aponta para uma espada na neve.
          - Eu sei o que ouvi, meu amor. Mas não falemos mais nisso. Pegue a espada do Romano para mim, preciso de uma arma.
        Juntos eles se ajudam e seguem cambaleantes caminhando lentamente pela terra coberta de neve até alcançar uma grande planície em um vale onde a neve já derreteu e o solo começa a ganhar contornos acinzentados. Ali, mal se agüentando em pé devido aos ferimentos, Silvio pede para que parem por um momento.
          - Escute, passos apressados, alguém está vindo pra cá!
         - Sim, já os vejo. É um grupo de nativos Chilenos, parecem selvagens. Espero que não trabalhem para os Romanos!
          - Certo. Não levante o arco, vamos esperar. De qualquer forma, eles são muitos para nós! – Falando baixo, Silvio completa – Aconteça o que acontecer, leve o críptex para Gulhermo Tande.
          O grupo de cerca de trinta nativos se aproxima. Aquele que parece ser o líder para à frente dos dois, fala com a voz rouca.
          - Mate-o!
                   Valdine Alva ainda tenta pegar seu arco, mas é rapidamente dominada por um dos guerreiros do grupo. Silvio Lassar ergue a espada na tentativa de desferir o golpe que livraria Valdine do abraço do Chileno selvagem, mas sem efeito, pois é atravessado pela lança do mais forte guerreiro do bando.
           - Nãããaõooo...!!!
          O grito de Valdine Alva ecoa pelo vale enquanto suas lágrimas descem pelo rosto pálido pela falta de sol. Silvio Lassar por sua vez, digna-se a morrer sem emitir um único grunhido sequer.

FIM DO CAPÍTULO 2
      



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