segunda-feira, 11 de agosto de 2014

TERRA CAOS - Capítulo 3 - O Último Asteca

TERRA CAOS - Capítulo 3 - O Último Asteca

Valdine Alva foi capturada pelos selvagens do Chile na Terra do Fogo.

     Valdine Alva está acorrentada, presa em uma cela com grades de ferro. Esta cela é grande, parecendo uma enorme jaula com o piso forrado de palha úmida. Quando ela acorda, a primeira coisa que procura é o críptex de Tande. Ainda está sob sua blusa, pelo jeito os selvagens Chilenos não a revistaram. Sentindo uma forte dor na cabeça, ela abre lentamente os olhos para perceber que não está sozinha ali. Agachado a uma canto, quse ele todo encoberto pela palha, um homem pequeno a olha cabisbaixo, todo maltrapilho e com barba excessivamente longa, demonstrando que está ali por muito tempo. O homem baixo gesticula pedindo que ela não faça barulho. Ele fala a ela sussurrando numa língua que Valdine pensava não mais existir. Quando ela olha para fora da cela, com indicara o velho, vê dois selvagens em patrulha. Em seguida o homem se aproxima de Valdine. Ele lhe fala baixinho, agora na língua comum.
     
     - Você tem algo que precisa entregar a alguém, eu sairei desta gaiola daqui a algumas horas, se quer que isso chegue ao destino, é melhor entregar pra mim!
     
     Meio que surpresa, Valdine Alva ainda procura entender a oferta de seu companheiro de cela. Ele então fala novamente.

     - Eles vão levá-la daqui a pouco, acha que eles não vão querer se divertir enquanto esperam o líder decidir o que fazer com você? Quando eles tirarem suas roupas vão descobri o críptex de Tande.

     - M... Mas como você sabe sobre o...?
     - Eu sei de muitas coisas moça. Seu amigo foi morto por essa missão, não vai querer decepcionar ele, vai? 

Valdine apenas fica quieta e em silêncio, avaliando a proposta do Homem que ela conclui ser da raça dos antigos Astecas. Ela olha ao redor. Os dois selvagens estão ali perto, olhando para a jaula e conversando entre si.

     - Não o conheço, não sei se devo confiar em você!

     Sem dizer mais nada, o Asteca se afasta voltando para seu canto, recluso.

     É noite e a lua se esconde por detrás das nuvens. Valdine Alva permanece encolhida em seu canto da cela. Ela se lembra de Sílvio Lassar e rapidamente seus olhos se enchem de lágrimas. Ela se pergunta afinal se está tudo perdido. Os selvagens vão tentar possuí-la e quando o fizerem, não lhe restará mais nada de esperança, a não ser depositar toda essa esperança nesse pequeno homem moreno, com uma voz sepulcral arrastada que ela nem mesmo conhece.

     - Você! - Fala Valdine se arrastando tentando alcançar o ancião. - Fique com isso, eu estava levando para Guilhermo Tande, um líder revolucionário que aceitou unir forças com as tropas rebeldes do Brasil que irão se juntar a outros e...
     - Shhhh... fique calma, não precisa me contar tudo, moça. Eu também sou inimigo do grande Papa, mas até chegar a ele temos um caminho muito longo. Há outros aqui na América do Sul que precisam morrer antes dele!
     - Como o traidor do Emanuil Dudo?
     - He he... também moça, talvez ele também. Mas até onde eu sei foi a primeira vez que Emanuil Dudo fez inimigos do lado dos rebeldes.
     - É, eu sei. Também deve ter sido a primeira vez que ele aceitou o ouro dos Romanos!
     - Escute moça, eu vou matar algumas pessoas quando sair daqui, por acaso você quer que eu inclua Emanuil Dudo na minha lista?

     Depois de pensar por um rápido instante, Valdine responde com voz firme.

     - Não, eu mesmo quero matá-lo!

     O velho Asteca se cala pensativo. Ele olha para o lado de fora e repara que os dois vigias se aproximam devagar da jaula. Valdine também ver isso, e se volta para o velho Asteca.

     -  Eles estão vindo, como você disse. Tome, guarde o críptex e o leve para Guilhermo Tande. No interior desse objeto estão todas as chaves para a formação de alianças nas Américas e até mesmo com grupos revolucionários na própria Europa. Com isso, Tande terá acesso a armas e tropas que el jamais sonhou encontrar. Por falar nisso, como você pretende escapar daqui?
     - Saindo pela porta da jaula. Olha pra mim, eles acham que sou tão velho que nem me acorrentram como você!

     O velho Asteca pega o cilindro e o coloca por debaixo da velha camisa que usa, prendendo-o ao cinto de cordas na sua cintura no mesmo instante em que os dois carcereiros selvagens estão abrindo a porta da cela. O velho se afasta de Valdine e fica recolhido em seu canto, quieto. Um dos carcereiros entra com a chave que vai abrir os grilhões que prendem Valdine Alva. O segundo selvagem Chileno fica do lado de fora, vigiando, olhando em volta, o que demonstra que seus atos podem não ter a aprovação do restante do bando. O carcereiro abre as algemas de Valdine e a leva para fora da jaula. Ela permanece em silêncio, enquanto o velho Asteca quieto em seu canto, observa o carcereiro trancar a jaula por fora. 

     - Fique vigiando aí, - fala o selvagem que está arrastando Valdine para uma tenda ali perto - Depois será sua vez!

     Em seguida, os dois desaparecem na tenda, de onde começa a se ouvir murmúrios e grunhidos. Enquanto isso, o Asteca se aproxima das grades da cela para falar ao carcereiro de vigia.

     - Sei que os outros guerreiros do acampamento, nem seu líder, aprovaram o que estão fazendo.
     - Cale a boca, velho, tá querendo morrer?

     O Asteca continua dirigindo suas palavras ao selvagem Chileno.

     - Eu já estou meio morto mesmo, então se você não me deixar olhar, eu vou gritar aqui até os outros acordarem!
     - O que está dizendo, moribundo maluco?
     - Você sabe, quero ver ela, a garota é muito bonita. Quero olhar pra ela sem roupa. Muito tempo preso aqui, sem mulher...

     O guerreiro Chileno solta uma leve gargalhada contida desdenhando do Asteca.

     - NÃO OUVIU O QUE EU DISSE? EU VOU GRITAAAAAAR!!!!!
     - Está bem, está bem, pare velho louco. Venha vou te levar pra perto da tenda.

     O selvagem então abre a porta da jaula, e apontando sua grande lança, pega uma corrente e se aproxima do Asteca.

     - Você pode estar meio morto, velho, mas vou te acorrentar por precaução!

     Mal o guerreiro termina a frase, o velho Asteca salta ágil, em nada lembrando um moribundo, saindo pela porta da cela e alcançando a corrente na mão do Chileno e, com extrema rapidez passa-a ao pescoço do carcereiro apertando sua garganta, segurando firme até que este solte a lança. Percebendo a debilidade do inimigo, o Asteca solta a corrente e sai em disparada para longe do acampamento.
     Já no alto de uma colina, ele se vira, e tocando o críptex na sua cintura, olha para a tenda onde está Valdine Alva e seu algoz.

     - Desculpe garota, mas eu não daria conta de matar os dois selvagens!

FIM DO CAPÍTULO 3 

     

  


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